Crescimento do bebê

Perímetro cefálico do bebê por idade: o que é normal?

A medida que quase ninguém pergunta e o pediatra nunca esquece. Entenda o que o perímetro cefálico acompanha, quanto a cabeça cresce por mês, como a fita é passada e quais sinais pedem avaliação.

O perímetro cefálico é a medida da volta da cabeça e cresce junto com o cérebro. Em geral a cabeça ganha cerca de 2 cm por mês nos três primeiros meses, 1 cm por mês dos três aos seis e cerca de 0,5 cm por mês até completar um ano. O padrão da curva importa mais que um número isolado.

O que o perímetro cefálico mostra e por que ele é medido

Na consulta de puericultura, o profissional passa a fita na cabeça do bebê, anota duas letras na caderneta (PC) e segue para o peso. Muita mãe e muito pai nem chegam a perguntar o que era aquilo. É provavelmente a medida mais subestimada do primeiro ano.

O motivo de ela existir é simples: os ossos do crânio do recém-nascido ainda não estão colados. Eles são separados pelas suturas e pelas moleiras, e por isso a caixa óssea acompanha o que está dentro dela. O cérebro cresce, o crânio cresce junto. Medir a volta da cabeça vira então um jeito indireto, barato, rápido e indolor de acompanhar o crescimento cerebral, sem exame, sem agulha e sem custo nenhum.

É por isso que o perímetro cefálico entra em toda consulta do primeiro ano e continua sendo medido até por volta dos 2 anos, junto com peso e comprimento, e vai marcado nos gráficos da Caderneta da Criança. O profissional não está olhando o número de hoje. Está olhando a linha que aqueles pontos desenham consulta após consulta.

Se as curvas e os percentis impressos na caderneta ainda parecem um enigma, vale ler antes o que significam os percentis e como ler o gráfico de crescimento, porque tudo nesta página depende de entender aquele desenho.

Perímetro cefálico médio por idade

A tabela abaixo traz os valores de referência da OMS, as mesmas curvas usadas na caderneta brasileira. As colunas mostram o percentil 3, a mediana (percentil 50) e o percentil 97. A faixa entre o 3 e o 97 é onde se encontra a grande maioria dos bebês saudáveis, e estar perto de uma das bordas não é nota baixa nem nota alta: é apenas posição em relação a outros bebês da mesma idade e do mesmo sexo.

Meninos: perímetro cefálico por idade (cm)
IdadePercentil 3Percentil 50 (mediana)Percentil 97
Nascimento32,134,536,9
1 meses35,137,339,5
2 meses36,939,141,3
3 meses38,340,542,7
4 meses39,441,643,9
5 meses40,342,644,8
6 meses41,043,345,6
9 meses42,645,047,4
12 meses43,646,148,5
15 meses44,346,849,3
18 meses44,947,449,9
2 anos45,748,350,8
Meninas: perímetro cefálico por idade (cm)
IdadePercentil 3Percentil 50 (mediana)Percentil 97
Nascimento31,733,936,1
1 meses34,336,538,8
2 meses36,038,340,5
3 meses37,239,541,9
4 meses38,240,643,0
5 meses39,041,543,9
6 meses39,742,244,6
9 meses41,343,846,3
12 meses42,344,947,5
15 meses43,145,748,2
18 meses43,646,248,8
2 anos44,647,249,8

Deslize a tabela para o lado para ver todas as colunas.

Valores dos Padrões de Crescimento Infantil da OMS, as mesmas curvas usadas na Caderneta da Criança, válidos para bebês nascidos a termo; bebês prematuros precisam de idade corrigida ou de um gráfico indicado pelo próprio médico.

Use a tabela para localizar o seu bebê, não para julgá-lo. Dois bebês com exatamente a mesma medida podem estar em situações completamente diferentes, dependendo de onde cada um deles estava no mês anterior.

Quanto a cabeça do bebê cresce de verdade

O ritmo muda muito rápido no primeiro ano, e conhecer esse ritmo evita susto:

  • Do nascimento aos 3 meses: cerca de 2 cm por mês.
  • Dos 3 aos 6 meses: cerca de 1 cm por mês.
  • Dos 6 aos 12 meses: cerca de 0,5 cm por mês.
  • Depois de 1 ano: bem mais devagar, algo em torno de 1 a 2 cm ao longo de todo o segundo ano.

Somando, a cabeça ganha por volta de 12 cm no primeiro ano de vida, e nunca mais vai crescer nesse ritmo. Esses valores são médias, não metas. Um mês pode vir um pouco acima, outro um pouco abaixo, e isso segue sendo normal desde que a tendência geral se mantenha.

Bebês prematuros seguem outra conta. Durante um período o acompanhamento é feito pela idade corrigida, e o ritmo de crescimento da cabeça costuma ser diferente nos primeiros meses. Quem define qual gráfico e qual idade usar é o profissional que acompanha o bebê.

Como a medida é feita, e como ela erra

A técnica é padronizada. Usa-se uma fita métrica inelástica (fita de costura que estica não serve) passada na maior circunferência da cabeça: logo acima das sobrancelhas, acima das orelhas e por cima da parte mais saliente da nuca. A fita fica reta, encostada no couro cabeludo, sem apertar. A medida é repetida duas ou três vezes e vale a maior delas.

Parece simples e é, mas erra com facilidade. Meio centímetro de diferença aparece por qualquer um destes motivos:

  • Cabelo volumoso, molhado, preso, com laço, presilha ou touca.
  • Fita torcida, frouxa ou apertada demais.
  • Fita passando baixa demais na testa ou fora da saliência da nuca.
  • Bebê chorando, se contorcendo ou virando a cabeça no meio da medida.
  • Fita elástica, barbante marcado e depois conferido na régua, e improvisos parecidos.

Por isso um salto ou uma queda entre duas consultas muitas vezes diz mais sobre a fita, sobre quem mediu e sobre o humor do bebê do que sobre a criança. Diante de um número estranho, a conduta razoável é medir de novo, com calma, e não tirar conclusão nenhuma sozinha em casa.

Se você medir em casa, mantenha sempre a mesma fita, a mesma posição e, de preferência, a mesma pessoa medindo, com o bebê tranquilo. Anote o valor e leve a dúvida para a consulta. A medida caseira serve para acompanhar tendência, não para substituir a medida feita no serviço de saúde.

Moleira, cabeça amassada e formato da cabeça

Recém-nascido de parto normal costuma sair com a cabeça alongada, às vezes bem pontuda, com aspecto de cone. Isso é moldagem: os ossos deslizam entre si para passar pelo canal de parto, exatamente porque ainda não estão colados. Some sozinho em dias ou em poucas semanas. Bebês de cesárea costumam nascer com a cabeça mais arredondada, e isso não significa absolutamente nada sobre o futuro.

Outra coisa muito comum é o achatamento de um lado ou da parte de trás, chamado de plagiocefalia posicional. Ele aparece porque o bebê passa muito tempo apoiado sempre na mesma região, e ficou mais frequente desde que se recomenda dormir de barriga para cima, recomendação que continua valendo e que não deve ser abandonada por causa do formato da cabeça. Na grande maioria das vezes é uma questão de posição, não de cérebro.

Vale falar cedo com o pediatra assim que você perceber o achatamento, porque as medidas simples funcionam melhor quanto antes começam: variar o lado da cabeça no berço, alternar o lado no colo e na mamada, estimular o bebê a olhar para o lado menos usado e oferecer tempo de bruços acordado e supervisionado, várias vezes por dia, aumentando aos poucos. Qualquer conduta além disso é decisão clínica, avaliada caso a caso.

Sobre as moleiras: a de trás, pequena, costuma fechar por volta dos 2 a 3 meses. A da frente, a grande, geralmente fecha entre mais ou menos 9 e 18 meses, e toda essa variação é normal. Uma moleira que pulsa suavemente, no ritmo do coração, é normal. Dá para lavar, pentear e encostar na cabeça do bebê com naturalidade, sem medo de machucar.

Duas situações fogem disso e não são para ficar observando em casa: moleira funda, afundada, e moleira abaulada e tensa com o bebê calmo, sem choro e no colo em posição vertical. Nos dois casos, procure atendimento na hora. Não existe manobra caseira que levante a moleira, e tentar isso só atrasa o que precisa ser avaliado.

Quando o tamanho da cabeça precisa mesmo ser checado

Cabeça grande e cabeça pequena existem em famílias. Um bebê com a cabeça constantemente acima ou abaixo da média, que cresce de forma estável na sua própria linha, com pais e avós de cabeça grande ou pequena, geralmente é só isso: família. O que chama a atenção do profissional não é a posição, é a mudança de padrão.

Procure o pediatra ou a unidade de saúde, sem esperar a próxima consulta marcada, se:

  • a moleira estiver funda, ou abaulada e tensa com o bebê calmo e na vertical (nesse caso, atendimento de urgência);
  • a medida atravessar as linhas do gráfico para cima rapidamente, em pouco tempo;
  • a medida parar de crescer ou crescer muito pouco de uma consulta para outra;
  • a cabeça se comportar de um jeito diferente do peso e do comprimento, que vinham acompanhando bem;
  • o achatamento piorar, ou o bebê virar sempre a cabeça para o mesmo lado e resistir a virar para o outro;
  • houver vômitos repetidos e fortes, irritabilidade ou sonolência fora do comum, olhar parado ou desviado, convulsão, ou perda de habilidades que o bebê já tinha;
  • simplesmente a cabeça parecer, para você, grande ou pequena demais e ninguém tiver medido ainda.

Duas honestidades importantes aqui. A primeira: nenhuma tabela, nenhum aplicativo e nenhum texto pode dizer que o seu bebê está bem ou que não está. Só o profissional que examina a criança inteira, com a história dela na mão, faz isso. A segunda: crescimento de cabeça não se resolve pelo prato. Não existe complemento, fórmula, mudança na introdução alimentar, vitamina ou remédio que você deva iniciar por causa de um ponto no gráfico. Qualquer mudança na alimentação do bebê é decisão do profissional que o acompanha.

Como acompanhar entre uma consulta e outra

O que mais ajuda o pediatra é ter os pontos anteriores. Leve a caderneta em toda consulta, cobre o registro das três medidas e, se a consulta foi em outro serviço, peça os valores para transcrever. Uma medida solta em um papel qualquer perde metade do valor.

E se você gosta de acompanhar por conta própria, guarde as medidas sempre do mesmo jeito e olhe a tendência ao longo dos meses, nunca o número de uma semana isolada.

Guarde as medidas do seu bebê em um lugar só

No BabyMind você registra altura, peso e perímetro cefálico ao longo do tempo e vê a tendência de cada um em um gráfico simples, pronto para levar à consulta. O aplicativo não traça as curvas oficiais da OMS, não faz diagnóstico e não substitui a medida feita pelo profissional de saúde.

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Perguntas frequentes

Meu bebê tem a cabeça grande. Devo me preocupar?

Não necessariamente. Cabeça grande costuma ser característica de família, e o que o pediatra observa é se a medida cresce de forma estável na própria linha do gráfico. Preocupa mais uma cabeça que muda de padrão de repente, subindo rápido pelas linhas ou parando de crescer, do que uma cabeça sempre acima da média. Leve a caderneta e pergunte na consulta.

Com quantos meses a moleira fecha?

A moleira pequena, de trás, costuma fechar por volta dos 2 a 3 meses. A grande, da frente, geralmente entre mais ou menos 9 e 18 meses. Sentir uma pulsação suave é normal. Moleira funda, ou abaulada e tensa com o bebê calmo e na vertical, é motivo para procurar atendimento na hora.

Posso medir o perímetro cefálico do meu bebê em casa?

Pode, com fita inelástica, passando acima das sobrancelhas e das orelhas e pela parte mais saliente da nuca, repetindo duas ou três vezes e anotando a maior medida. Só tenha em mente que cabelo, fita torcida e bebê agitado mudam facilmente meio centímetro. A medida caseira serve para acompanhar tendência, nunca para diagnosticar nem para substituir a consulta.

A cabeça do meu bebê está achatada de um lado. Isso é grave?

Na maioria das vezes é posicional, ou seja, resultado de o bebê apoiar sempre a mesma região, e não um problema do cérebro. Vale comentar cedo com o pediatra, porque alternar a posição no berço e no colo e oferecer tempo de bruços acordado e supervisionado costuma funcionar melhor quanto antes começa. Qualquer outra conduta é avaliação clínica, caso a caso.

Bebê prematuro segue a mesma tabela?

Não da mesma forma. O acompanhamento de bebês prematuros é feito por idade corrigida durante um período, e o gráfico usado pode ser outro. Quem define isso é o profissional que acompanha o bebê, então leve sempre a caderneta e as datas certas do nascimento.

Mudar a alimentação ou dar complemento ajuda a cabeça a crescer?

Não é assim que funciona, e mexer na alimentação por causa de um número no gráfico pode fazer mal. Nenhuma fórmula, complemento, vitamina ou mudança na introdução alimentar deve ser iniciada por conta própria. Se a medida da cabeça preocupa, quem avalia e quem decide qualquer ajuste é o profissional de saúde que acompanha o seu bebê.