Crescimento do bebê

Peso do bebê por idade: quanto meu bebê deve pesar?

Tabela de peso por idade da OMS, o ganho esperado por semana em cada fase, a perda de peso normal do recém-nascido e os sinais que pedem consulta. Escrito para quem está com a caderneta na mão e o coração apertado.

Não existe um peso certo para cada idade, e sim uma faixa ampla de peso saudável. O que o pediatra observa não é um número isolado, mas o ritmo de ganho ao longo das semanas: em geral, de 150 a 200 g por semana nos três primeiros meses, com desaceleração natural depois. A tabela da OMS abaixo mostra essa faixa.

Existe um peso certo? A resposta curta

Não existe. Existe uma faixa, e ela é bem mais larga do que a maioria dos pais imagina. Dois bebês com a mesma idade, os dois saudáveis, bem alimentados e bem acompanhados, podem pesar coisas bastante diferentes. Isso não é uma exceção, é como o crescimento humano funciona.

O peso de um bebê depende do peso ao nascer, da genética da família (pais miúdos costumam ter bebês miúdos), do sexo, de ter nascido a termo ou prematuro e do ritmo próprio dele. Por isso o pediatra quase nunca responde "seu bebê deveria pesar tanto". Ele olha outra coisa: a linha que aquele bebê específico vem desenhando ao longo dos meses.

Um número solto, tirado num dia qualquer, numa balança qualquer, diz muito pouco. Três ou quatro pesagens seguidas, feitas do mesmo jeito, dizem quase tudo. É a diferença entre uma foto e um filme.

Se você chegou aqui depois de uma consulta em que ouviu que o bebê "está abaixo da curva" e saiu com um nó no estômago, respira fundo. Estar mais embaixo na tabela não é nota baixa, e boa parte dos sustos de pesagem se dissolve na consulta seguinte. Mas existem sinais que realmente pedem avaliação médica, e eles estão listados no fim desta página.

Tabela de peso por idade da OMS

No Brasil, a Caderneta da Criança, aquela que você recebe na maternidade e leva a cada consulta de puericultura, usa os Padrões de Crescimento Infantil da Organização Mundial da Saúde. São as mesmas curvas adotadas pelo Ministério da Saúde nas unidades básicas de saúde do país inteiro. Ou seja: a tabela abaixo é a mesma régua que a enfermeira usa quando marca aquele pontinho no gráfico.

Como ler: cada linha é uma idade. A coluna do meio traz a mediana, o valor central. As colunas das pontas mostram as bordas da faixa esperada. Entre uma ponta e a outra cabe a imensa maioria dos bebês saudáveis do mundo.

Meninos: peso por idade (kg)
IdadePercentil 3Mediana (percentil 50)Percentil 97
Nascimento2,53,34,3
1 meses3,44,55,7
2 meses4,45,67,0
3 meses5,16,47,9
4 meses5,67,08,6
5 meses6,17,59,2
6 meses6,47,99,7
9 meses7,28,910,9
12 meses7,89,611,8
15 meses8,410,312,7
18 meses8,910,913,5
2 anos9,812,215,1
Meninas: peso por idade (kg)
IdadePercentil 3Mediana (percentil 50)Percentil 97
Nascimento2,43,24,2
1 meses3,24,25,4
2 meses4,05,16,5
3 meses4,65,87,4
4 meses5,16,48,1
5 meses5,56,98,7
6 meses5,87,39,2
9 meses6,68,210,4
12 meses7,18,911,3
15 meses7,79,612,2
18 meses8,210,213,0
2 anos9,211,514,6

No celular, arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas.

Fonte: Padrões de Crescimento Infantil da Organização Mundial da Saúde, os mesmos adotados pela Caderneta da Criança no Brasil; valem para bebês nascidos a termo, enquanto bebês prematuros precisam da idade corrigida ou da curva indicada pelo próprio pediatra.

Duas coisas valem mais do que qualquer número da tabela:

  • Percentil não é nota. Ele indica posição em relação a outros bebês da mesma idade, e não qualidade, saúde ou desempenho. Alguém precisa ficar nas posições mais baixas para que a curva exista, e esses bebês são, na esmagadora maioria, crianças saudáveis com corpos menores. Um percentil mais alto também não é "melhor".
  • A trajetória importa mais do que a posição. Um bebê que caminha firme numa faixa mais baixa costuma tranquilizar muito mais o pediatra do que um bebê que estava numa faixa alta e vem descendo de linha em linha.

Na sua caderneta pode estar escrito de outro jeito. Os gráficos da Caderneta da Criança geralmente marcam as linhas em escore-z (-3, -2, 0, +2, +3) em vez de percentis. É a mesma informação da OMS em outra escala: a linha do meio equivale à mediana e as linhas de fora delimitam uma faixa muito parecida com a destas colunas. Se ficar confuso, peça na consulta para mostrarem onde o seu bebê está e, principalmente, para que lado a linha dele vem indo.

As duas primeiras semanas: a perda de peso do recém-nascido

Quase todo recém-nascido perde peso nos primeiros dias, e isso assusta muita gente na maternidade. É esperado. O bebê nasce com líquido extra no corpo, elimina o mecônio (aquele cocô preto e grudento dos primeiros dias) e ainda está aprendendo a mamar enquanto o leite materno passa do colostro para o leite maduro.

A perda costuma ficar em até algo em torno de 7 a 10 por cento do peso de nascimento, e a maior parte dos bebês recupera o peso do nascimento por volta das duas semanas de vida. Bebês nascidos de cesárea, ou de mães que receberam muito soro no trabalho de parto, às vezes perdem um pouco mais no começo.

É justamente por isso que a primeira consulta na unidade de saúde é marcada tão cedo, ainda na primeira semana de vida. Não é burocracia: é a pesagem que mostra se a amamentação está engrenando. Se o bebê ainda não voltou ao peso de nascimento por volta de duas a três semanas, isso não significa que algo grave está acontecendo, mas significa que precisa ser avaliado por um profissional, e não pela internet.

Quanto o bebê ganha por semana, na prática

Os pais perguntam tanto sobre gramas por semana quanto sobre o peso total, e com razão: é o ganho que mostra o movimento. Como referência geral:

  • 0 a 3 meses: cerca de 150 a 200 g por semana. É a fase de crescimento mais acelerada da vida inteira.
  • 3 a 6 meses: cerca de 100 a 150 g por semana. O ritmo cai, e isso é normal, não é perda de apetite.
  • 6 a 12 meses: cerca de 70 a 90 g por semana. O bebê agora rola, senta, engatinha e gasta muito mais energia.
  • Segundo ano: o ganho desacelera bastante e o apetite fica irregular e seletivo. Muitos pais acham que a criança "parou de comer" exatamente aqui, quando na verdade ela só parou de crescer no ritmo de recém-nascido.

Sobre os marcos que todo mundo repete: a maioria dos bebês dobra o peso de nascimento por volta dos 5 meses e triplica por volta de 1 ano. São médias, com variação saudável enorme. Dobrar aos 4 ou aos 6 meses, triplicar um pouco antes ou depois do aniversário, tudo isso cabe dentro do normal.

Vale lembrar que o crescimento não acontece em linha reta. Existem estirões, semanas mornas, semanas em que o bebê ficou gripado e comeu menos e depois recuperou. Se quiser saber o que aquele número do gráfico realmente significa, vale ler o nosso guia sobre os percentis de crescimento.

Por que o número da balança de casa engana

Muita angústia nasce de comparar dois números que nunca deveriam ter sido comparados. Antes de acreditar em qualquer diferença, confira se não foi um destes vilões:

  • Balança diferente. A do posto, a do consultório e a da farmácia dificilmente marcam igual. Trocar de balança entre uma pesagem e outra inventa ganhos e perdas que não existiram.
  • Roupa e fralda. Body, meia, macacão e principalmente fralda usada pesam. Uma fralda bem cheia pode passar de 100 g sozinha, mais do que o ganho de metade de uma semana no segundo semestre.
  • Antes ou depois da mamada. Pesar o bebê logo depois de mamar e comparar com uma pesagem feita em jejum é comparar coisas diferentes.
  • Calibração. As balanças pediátricas de serviços de saúde são aferidas periodicamente. A balança doméstica, mesmo boa, quase nunca é, e costuma ter menos precisão justamente nas variações pequenas que interessam aqui.
  • Cocô, xixi e horário. Uma evacuação caprichada muda o número na hora. Manhã e fim da tarde também não dão o mesmo resultado.

Compare igual com igual. Mesma balança, mesmo horário do dia, bebê sem roupa ou só com fralda limpa, de preferência antes de mamar. E não pese todo dia: em 24 horas o erro da balança é maior que o ganho real, e o único efeito disso é ansiedade. Uma vez por semana já é bastante, e para a maior parte dos bebês as pesagens das consultas resolvem. Olhe sempre a tendência de várias pesagens, nunca o número de hoje.

Peito e fórmula seguem curvas um pouco diferentes

Os padrões da OMS foram construídos a partir de bebês amamentados, em condições favoráveis de saúde e alimentação. Na prática, bebês em aleitamento materno tendem a ganhar peso um pouco mais rápido nos primeiros meses e um pouco mais devagar depois disso, quando comparados a bebês alimentados com fórmula infantil.

Ou seja: se o seu bebê mama no peito e a curva dele "achata" um pouco no segundo semestre, muitas vezes isso é o padrão esperado daquele tipo de alimentação, e não um problema a ser consertado. Da mesma forma, um bebê de fórmula que ganha um pouco mais rápido não está sendo superalimentado por definição.

E aqui vem o ponto mais importante desta página: não mude a alimentação do seu bebê por causa de um número. Não complemente com fórmula por conta própria, não dilua nem concentre nada, não corte ou acrescente mamadas, não antecipe nem atrase a introdução alimentar para tentar mexer no peso. Cada uma dessas mudanças pode fazer mal de verdade quando é feita sem avaliação, e qualquer ajuste precisa ser conversado antes com o pediatra ou com a equipe da sua unidade de saúde, que enxerga o quadro inteiro: exame do bebê, histórico, mamadas, fraldas, sono e humor.

Quando o peso realmente precisa ser avaliado

Nenhum site, e nenhuma tabela, pode dizer se o seu bebê está bem. Só o profissional que examina a criança consegue. O que dá para dizer com clareza é quando não vale esperar a próxima consulta de rotina. Procure o pediatra ou a unidade de saúde se:

  • O bebê fizer bem menos xixi que o habitual, ou nenhum. Fralda seca por muitas horas em recém-nascido é sinal de alerta.
  • Ele não tiver recuperado o peso de nascimento por volta de duas a três semanas de vida.
  • Houver perda de peso depois das duas primeiras semanas, em qualquer idade.
  • A linha dele atravessar para baixo duas ou mais faixas principais do gráfico da caderneta.
  • O bebê estiver sonolento demais, difícil de acordar para mamar, molinho, ou mamando pouco e cansando rápido.
  • Aparecerem sinais de desidratação, como boca seca, choro sem lágrimas ou moleira funda. Nesse caso, procure atendimento no mesmo dia.
  • Você simplesmente sentir que tem algo diferente. Quem convive 24 horas com aquele bebê percebe mudanças antes de qualquer gráfico, e essa percepção é motivo suficiente para buscar avaliação.

Nenhum profissional vai achar exagero você ter levado o bebê para pesar. Levar cedo demais custa uma manhã. Deixar para depois pode custar bem mais.

E se a consulta terminar com "está tudo certo, ele é assim mesmo", acredite. Muitos bebês perfeitamente saudáveis passam a infância inteira mais para baixo na tabela, filhos de pais que também eram crianças pequenas. O peso é uma informação, uma entre várias, e não um veredito sobre o seu cuidado.

Guarde o histórico de cada pesagem

No BabyMind você registra peso, altura e perímetro cefálico a cada medição e acompanha a tendência ao longo do tempo, pronta para mostrar na consulta. Ele não substitui a balança da unidade de saúde nem faz qualquer diagnóstico: serve para você chegar ao pediatra com o histórico organizado, em vez de tentar lembrar de cabeça.

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Perguntas frequentes

Meu bebê está num percentil baixo. Ele está desnutrido?

Não necessariamente. Percentil é posição em relação a outros bebês da mesma idade, não é nota nem diagnóstico. Existem bebês saudáveis em toda a extensão da tabela, inclusive perto das bordas. O que chama a atenção do pediatra é a criança que vai caindo de linha em linha ao longo dos meses, ou que perde peso, e não a que cresce firme numa posição mais baixa. Quem pode dizer se está tudo bem é o profissional que examina o bebê, com o histórico completo em mãos.

Com quantos meses o bebê dobra o peso de nascimento?

Em média por volta dos 5 meses, e triplica por volta de 1 ano. São médias com variação ampla: dobrar aos 4 ou aos 6 meses é comum e, sozinho, não indica problema nenhum. O ritmo semanal de ganho e a trajetória na caderneta contam mais do que a data exata em que esse marco acontece.

Posso pesar o bebê em casa?

Pode, desde que trate o resultado como uma estimativa. Balanças domésticas raramente são aferidas e erram justamente nas variações pequenas que interessam. Se for pesar, use sempre a mesma balança, no mesmo horário, com o bebê sem roupa ou só com fralda limpa, e olhe a tendência de várias semanas em vez do número do dia. As pesagens que valem para qualquer decisão são as feitas na unidade de saúde ou no consultório.

Meu bebê passou uma semana sem ganhar peso. Devo me preocupar?

Uma semana isolada raramente conta a história toda. O crescimento não é linear, e é comum haver semanas mais fracas depois de uma gripe, de uma vacina ou de uma fase de sono bagunçado, seguidas de recuperação. O que importa é a tendência de algumas semanas. Mas perda de peso depois das duas primeiras semanas de vida, menos xixi que o habitual ou bebê muito sonolento são motivos para procurar atendimento sem esperar a próxima consulta.

Bebê que mama só no peito ganha menos peso?

Depois dos primeiros meses, bebês amamentados costumam ganhar um pouco mais devagar que bebês em fórmula, e as curvas da OMS foram construídas justamente a partir de bebês amamentados. É uma diferença esperada, não um defeito a corrigir. Não complemente com fórmula por conta própria para tentar mexer no peso: converse antes com o pediatra ou com a equipe da sua unidade de saúde.

De quanto em quanto tempo devo levar o bebê para pesar?

Siga o calendário de puericultura da sua unidade de saúde ou do seu pediatra, que é mais frequente nos primeiros meses e vai espaçando com o tempo. Fora do calendário, pese quando houver um motivo concreto: doença com pouca aceitação de leite ou comida, redução das fraldas molhadas, ou a sua própria sensação de que algo mudou.